A Zulk, parte 5: Se eu quero, eu posso qualquer coisa!

A Zulk, parte 5: Se eu quero, eu posso qualquer coisa!

A Zulk, parte 5: Se eu quero, eu posso qualquer coisa!

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“O que eu quero, eu vou conseguir, pois quando eu quero todos querem, quando eu quero todo mundo pede bis” Rockixe – Raul Seixas

Sendo assim, simplesmente eu decidi que além de fotógrafo eu também seria um artesão e iria construir um álbum encadernado, como os que tinha visto em SP, com o próprio punho. Só que simplesmente eu não tinha a menor idéia de por onde eu iria começar. A única coisa que tinha na cabeça era a determinação mas, para mim, só isso bastava!

Virar artesão seria a segunda grande coisa que eu ia aprender sozinho na vida, sem depender de cursos pagos, escolas, professores ou faculdades. Fotografia foi  a primeira grande coisa na minha extensa lista! Na verdade, quando descobri o melhor professor do mundo, o google, nunca mais eu fui o mesmo e hoje não passo um dia sequer sem aprender algo novo pois, para mim, o sistema de ensino atual já entrou em decadência há tempos.

Hoje quem tem acesso à net e não tem o conhecimento que quer é porque realmente não quer! Não existe desculpa!

Além de estudar incansavelmente fotografia todos os dias, com a ajuda de vários sites e fóruns na net (principalmente o BRFoto), eu gastava boa parte do tempo pesquisando sobre encadernação e fazendo testes. Na internet não havia qualquer conteúdo sobre encadernação fotográfica pois, como já disse, era um assunto extremamente raro na época. E ainda hoje posso dizer que, de certa forma, é um mistério pois quem sabe não ensina, visto que nem todos os Estados brasileiros têm uma encadernadora. Mas, confesso que hoje em dia está bem mais fácil de se aprender, principalente devido a inúmeras máquinas dedicadas existentes hoje no mercado (no início, eu cheguei a fazer um livro completo com apenas um estilete e um tubo de cola).

Então, a solução foi estudar encadernação clássica e artística de livros e enciclopédias e, com isso, acumulei muitos conhecimentos importantes (aprendi muito sobre papel, sobre conservação do material ao longo prazo, várias técnicas de costura, colas e muito mais) que não existiam no mundo da encadernação fotográfica (e ainda hoje não existem) e que, mais tarde, seriam fundamentais para eu criar meu estilo próprio e único de fazer livros fotográficos, uma nova marca, uma nova grife, da qual ainda vou falar muito por aqui…

Testes, testes e mais testes… eu gastava todo o pouco dinheiro que ganhava revelando fotos e tentando unir várias fotografias com o intuito de transformá-las num livro, aplicando todo o conhecimento das encadernações clássicas que eu estava adquirindo mas que, no momento, não estava ajudando muito.

Eu sonhava em ver um álbum encadernado novamente, para poder “pescar” alguma coisa que me desse uma luz de como unir as fotos, até que eu soube de um fotógrafo na cidade que já mandava fazer esse tipo de álbum em SP (eu não tinha nem idéia de qual empresa fazia esse serviço). Então fui com uma amiga, que fingia ser minha esposa, ao estúdio do tal fotógrafo, pedir um orçamento de casamento. Mas meu verdadeiro objetivo era analisar o livro e ter uma luz de como fazer um. No estúdio do fotógrafo, depois que ele nos mostrou o livro eu dei um jeito de pedir algo a ele para que ele pudesse sair da sala e assim eu poder ficar alguns segundos a sós com o álbum para poder observar o máximo de detalhes possível. Isso tudo sem que o fotógrafo nem sonhasse o que estava acontecendo pois, se ele descobrisse, era capaz de nos explusar dali! Consegui o que eu queria, vi que entre as folhas do livro tinha uma espécie de tecido parecido com uma tela e fui correndo perguntar a minha mãe, que é costureira, e rapidamente ela me disse o nome do pano. Esse foi meu primeiro grande progresso nas encadernações.

Uma vez que eu já tinha resolvido a matemática de como juntar as fotos, era pra isso que servia o tecido, agora eu saia perguntando a todo mundo se alguém conhecia um material ou outro e dizendo a lógica da coisa para todos os amigos, afim de algum ter alguma idéia aleatória que pudesse me ajudar. Vez por outra eu conseguia fazer alguém pensar e extraia alguma dica solta que me ajudava muito mas, no geral, todos diziam para eu desistir de tentar, pois livros como aqueles só eram possíveis de se fazer nas grandes indústrias de SP e uma pessoa comum nunca iria conseguir.

Remando contra a maré, fui contra a falta de incentivos de todos e continuei tentando e tentando. O grande desafio agora seria colar todas as páginas umas nas outras, todas alinhadas, e isso me consumiu muito tempo, material e cabeça, até que meu pai (que não me incentivava muito nas encadernações) arrumou um solução: segura o livro com dois pedaços de madeira e cola o fundo! Deu certo! kkkkkk

Assim, cada pessoa dava uma dica, mesmo mandando eu desistir insistentemente, e ao final de um ano eu consegui produzir o meu primeiro livro fotográfico! Isso aconteceu no final de 2005, junto ao curso de cinema, assim que eu deixei o curso de psicologia.

Sem a força e os conceitos que aprendi durante os meus mais de 5 anos estudando as relações humanas, eu com certeza não teria conseguido acreditar em mim, ir contra toda a falta de incentivo de todos, e vencido essa grande batalha. Mas toda essa luta serviu para eu pudesse ganhar mais força ainda pois, se eu consegui fazer um livro fotográfico praticamente do nada, agora eu não tinha mais limites, agora eu era capaz e tinha mais certeza ainda que poderia fazer tudo o que eu quisesse… e voar alto, muito alto mesmo.

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Jean Paulo Jean Paulo, um autodidata, um eterno apaixonado por tecnologia, tem na base de sua formação a psicologia de onde misturou com a fotografia, e diversas outros conhecimentos técnicos, como designer, empreendedorismo, administração, arte, teorias da aprendizagem, marketing digital e de tudo isso criou a Zulk. Hoje, alem de tudo, dedica a maior parte de sua vida a estudar filosofia, e a treinar outras pessoas pra atingir o sucesso.